18 de set de 2010

Sobre desenhar no metrô de São Paulo































































Desenhar no metrô tem sido hoje meu único exercício de desenho direto de observação. Sempre tive predileção por desenhar construções arquitetônicas (principalmente nas peiferias e no centro), mas para isso é preciso tempo, tanto para garimpar o melhor local para a tarefa, como para executar o desenho que normalmente envolve muitos detalhes e esforço, além de horas livres.
Para fazer esse desenho do Parque Dom Pedro (acima), por exemplo, eu tive que dividir o trabalho em seções. Toda semana tirava um dia para ir até lá e rabiscar um pouco. Depois do segundo dia já estava até conhecendo os guardas do terminal (usei como ateliê a ponte que liga o terminal Parque Dom Pedro ao outro lado do Expresso Tiradentes). Eles vinham toda hora ver como estava ficando o desenho e geralmente apontavar algum detalhe que eu havia esquecido e dar pitacos, etc... Aliás tenho que dizer que, para minha experiência, desenhar na rua, no meio das pessoas e do caos de São Paulo, sempre é uma situação ímpar e gratificante. Bom, continuando... No final acho que fui até lá umas quatro vezes antes ficar satisfeito e dar mo encerrado o trabalho. Eu tinha mais tempo disponível naquela época, é claro, e hoje isso é o que eu menos tenho tido, mas isso não vem ao caso agora. O que quero colocar aqui é que hoje venho me dedicando mais aos desenhos, vamos chamar, "de transporte" do que antes. Antes o que me interessava nessas seções de desenho no metrô era a rapidez, fluidez de traço, expressão narrativa e simbólica, agora estou mais preocupado com o desenho em si: composição, expressão facial, equilíbrio no traço e exatidão de anatomia (facial principalmente)... Para ser mais direto: O que estou querendo dizer é que estou prestando mais atenção no processo, no método e no que eu pretendo como resultado. Sinceramente acho que essa diferença de método citada acima nem é tão aparente plasticamente quando comparo os desenhos antigos, feitos em situações semelhantes, aos atuais, absolutamente.
Outra coisa, pra terminar esse post que já está ficando muito extenso; Ultimamente tenho conversado com muitos colegas desenhistas que tem vontade de sair para desenhar na rua, mas ainda se sentem intimidados e relutam, pelo fato de sempre haver muitas pessoas observando e até mesmo mesmo com medo de serem hostilizados por algum retratado intolerante. Tímídos, como eu no início, relutam e muitos confessam nem saber como e onde começar. É verdade que é um pouco desconfortável e tudo, mas hoje para mim, isso, de desenhar ao ar livre ou desenhar a fumaça livre em São Paulo, já se tornou natural e sempre o faço tranquilamente (se é que isso é possível, no transporte público ou nas ruas de São Paulo, ficar tranquilo).Para os meus colegas que relutam, eu peço: Deixem disso, criem coragem e rabisquem a vontade tudo o que puderem, isso faz bem para todos nós.

Eu acho.



2 comentários:

Lorran Siqueira disse...

Olá, João!
Primeiro gostaria de dizer que seus desenhos são incríveis. Para mim, que também desenho, você se tornou uma referência.
Acompanho seus desenhos pelo 'Urban Sketchers', até que descorbi que você tinha um blog próprio. Sou estudante de arquitetura e também saio pela cidade fazendo sketches. Só que estou com um problema pra postá-los. Acho que você pode me ajudar: eu custumo aquarelar os meus sketches, o problema é que na hora de escanear as luz do aparelho é tão intensa que as cores somem na imagem digitalizada.
Como você faz com os seus desenhos? Tira foto?

Obrigado!

Rodrigo de Faria disse...

Prezado João Pinheiro,

samos Editores da Revista URBANA do Centro Interdisciplinar de Estudos sobre a Cidade da Universidade Estadual de Campinas (CIEC-UNICAMP) e estamos trabalhando na edição de um Dossiê Temático CIDADE E NATUREZA. Os co-editores convidados e responsável pelo Dossiê sugeriram a primeira imagem do tópico "sobre desenhar no metrô de São Paulo" para que fosse a imagem da capa. Por isso escrevemos para lhe pedir autorização de uso da imagem.

A Revista não tem nenhuma finalidade comercial ou de lucro, é exclusivamente acadêmica, para divulgação de pesquisa na área de História Urbana do CIEC-UNICAMP, que é uma instituição pública e não pode fazer uso comercial. Nós docentes e pesquisadores também não fazemos nenhum uso comercial ou financeiro, além de dedicarmos nosso tempo sem qualquer remuneração especial pelo trabalho como editores da Revista. Segue aqui o link da Revista e o do CIEC:
. http://www.ifch.unicamp.br/ciec/
. http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/urbana/about

Aguardamos o seu contato e esperamos que aprove o uso da imagem.
e-mail: rod.dfaria@gmail.com

Atenciosamente
Prof. Dr. Rodrigo de Faria